Samuel Kerr
A formação musical do maestro Samuel Kerr foi informal em seu início. Ele começou a estudar piano aos 14 anos, em 1949, e o estudo de órgão em 1955. Até 1960, Kerr manteve-se como organista da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo.
Dividido entre a música e arquitetura, opta pela música e, a partir de 1957, frequenta os Seminários de Música da Pró-Arte (Escola Livre de Música), que estava sob a direção de Hans-Joachim Koellreuter, e tem aulas de piano com Hans Graf; harmonia, história da música e canto coral com Roberto Schnorrenberg; análise musical com Antonieta Moreira Leite e solfejo com Damiano Cozzella. Em seguida, tem a oportunidade de estudar nos EUA, na Meadow School of Music, com Robert Shaw, experiência fundamental para sua formação de regente.
A formalização de sua carreira deu-se em 1976, em Composição e Regência, no Instituto Musical de São Paulo, e em 1977 é contratado pela UNESP como professor, e ajuda organizar o Departamento de Música.
Em 2000, na UNESP, defende a tese de mestrado com “A história da atividade musical da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo.”
Mas a fase fundamental de sua carreira foi na virada dos anos 70. Kerr era maestro do Coral da Santa Casa, que apresentava um repertório tradicional, calcado basicamente em músicas renascentistas e folclóricas brasileiras. Kerr começou a incluir músicas do cancioneiro popular brasileiro no repertório, tendo iniciado com “Até pensei”, do Chico Buarque.
Hoje, quando Kerr relembra essa época, que está documentado no vídeo que acompanha este trabalho, ele admite que o coro cantava de modo diferente com a inclusão de músicas brasileiras, tendo o comportamento ficado mais solto. Tanto que, após um dos ensaios, Kerr adquire vários instrumentos de percussão e os entrega ao grupo, resultando numa mudança “fantástica” do resultado sonoro do grupo, segundo o relato do próprio Kerr.
A partir da indicação de um coralista- Ernst Oltrogge – ele indica, a pedido do maestro, um aluno de arquitetura, Rainer Jacobi, aluno do Flávio Império, que sugeriu revirar o “baú da vovó” em busca de roupas para compor um figurino. Assim foi feito e o coro vestiu-se de tipos bem coloridos e divertidos – árabe, noiva, bobo da corte…..E Jacobi orientou o uso de caixotes, tábuas e barris como um estrado inicial. Mais à frente, Jacobi construiu um estrado modular multicolorido que os próprios coralistas montariam a cada apresentação.
Foram realizadas também coreografias para alguns espetáculos, idealizadas por um bailarino do Stagium – Milton Carneiro. E para sustentar todas essas concepções de postura e movimento, foi realizado um trabalho teatral com o ator Osvaldo Loureiro.
Portanto, trata-se aqui de uma mudança radical na concepção de conjunto coral nessa época. Rompeu-se com o padrão renascentista de repertório e assumiu-se música brasileira, o que provocou uma presença em cena mais abrangente e vibrante. O repertório renascentista continuou presente, mas com uma musicalidade menos formal. A assunção da nova postura em cena, seja mais próxima da dança ou do teatro, continuou a evoluir em outras formações corais, chegando algumas a apresentar trabalhos conceituais, rompendo com o padrão sonoro habitual e propondo leituras que ampliam o nosso universo sonoro.
Prêmios, indicações, títulos e honrarias
- Primeiro lugar, na categoria conjuntos vocais, pela direção do Sexteto Masculino do Coral da Santa Casa no Festival Internacional da Canção Universitária em Santiago do Chile em 1967.
- Terceiro lugar, na categoria corais, pela direção do Coral da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa no Festival Internacional da Canção Universitária em Santiago do Chile em 1967.
- Troféu da Ordem do Músicos do Brasil, de Melhor Regente, 1973.
- Prêmio Especial da APCA, pelo trabalho como Diretor da Escola Municipal de Música, em 1974.
- Indicação para o Prêmio de Direção Musical, pela APETESP, em 1984.
- Prêmio APCA, de Melhor Regente Coral de 1992.
- Personalidade do Ano, pela Associação Comercial de São Paulo, Distrital Ipiranga, 1999
- Indicação para o Prêmio Carlos Gomes, 1998.
- Prêmio APCA, com Menção Honrosa pelo programa radiofônico “Escola Livre de Música” na Cultura FM de SP, 2013